Cidadania Italiana: A Longa e Sinuosa Jornada de um Sonho Realizado

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Cidadania Italiana: A Longa e Sinuosa Jornada de um Sonho Realizado

O texto abaixo é o relato de nossa querida cliente Tainan que me presenteou com esse escrito emocionante e sincero. Sou muito grata por ter o privilégio de poder fazer os sonhos de meus clientes se concretizarem e, mais ainda, por ter a oportunidade de fazer parte da história deles. Esse texto reflete as experiências da Tainan com meu atendimento, um trabalho que me dedico com muito carinho, por já ter estado do outro lado (como cliente) e por isso me esforço para entender e auxiliar da melhor maneira a cada um de vocês, para que não seja somente um passaporte, mas para que tudo corra bem, mesmo que existam pedras no caminho.

Por isso, agradeço à Tainan, de coração, por esse texto tão verdadeiro. Que seja incentivo para que ninguém desista do sonho de se tornar cidadão italiano.

Boa viagem nessas lindas palavras!


Cidadania Italiana: A Longa e Sinuosa Jornada de um Sonho Realizado

 

Existe uma canção dos Beatles de 1970 que se chama “The Long and Winding Road”, e, para ser sincera, se existe uma música que pode retratar em poucas palavras o que é a jornada para alcançar a tão sonhada cidadania italiana, essa é a frase… essa é uma longa e sinuosa estrada.

Como boa parte dos brasileiros, eu, Tainan Cristina, também sou fruto da nossa miscigenada nação, a começar pelo nome que reúne minhas raízes indígenas e europeias. Esse nome composto, típico na América Latina, vem acompanhado do sobrenome Bogo (que, para quem é descendente de italiano, provavelmente já passou por alguma situação de ter que soletrar como se escreve ou corrigir a pronúncia).

Que eu era descendente de italianos nunca foi muita novidade. Meu pai, um típico catarinense do Oeste, sempre gostou do pão molhado no azeite, da pizza bem fininha apenas com molho em cima e do bendito macarrão todos os dias em pelo menos uma das refeições. Agora, imaginar que eu poderia me tornar cidadã italiana, ah, isso sim foi uma surpresa quase inacreditável, mas foi o apertar de cintos para iniciar essa longa jornada.

Foi no final de 2018 quando uma amiga comentou comigo sobre essa possibilidade. Ela e o marido estavam de mudança para a Itália e muitas das burocracias que um jovem casal latino americano enfrentaria para se mudar para a Europa tinham sido reduzidas porque ele tinha conseguido o tão sonhado passaporte vermelho.

Num tom bem empolgado, ela me questionou o porquê de eu ainda não ter investigado sobre o processo. Confesso que escutei aquela história meio desacreditada e desconfiada, mas por desencargo de consciência fui perguntar ao meu pai se por acaso ele já havia ouvido falar sobre essa possibilidade de nos reconhecermos como cidadãos italianos.

Meu velho pai, meio cansado, disse que alguns primos distantes já tinham tentado saber mais sobre o processo, mas que além de necessitarmos de diversos documentos, eles também eram muito difíceis de encontrar, alguns familiares já tinham tentado reuni-los mas não achavam os benditos documentos, então desistiram. 

Essa foi a faísca que eu precisava para começar a investigação. Se a possibilidade existia e o necessário era reunir os tais documentos porque não tentar? Não foi porque outras pessoas tentaram e não conseguiram que eu não iria conseguir. Se meus antenatos atravessaram o oceano fugindo da guerra e da fome pra reconstruir a vida em um novo continente passando por todas as dificuldades possíveis, buscar essas certidões não me parecia ser metade do esforço que eles fizeram para chegar ao Brasil. 

E lá fui eu iniciar essa busca…No início, a gente nunca sabe bem por onde começar, mas minha maior sorte foi que meu pai ainda tinha uma cópia da certidão de nascimento dele, aquela simples mesmo, mas que pelo menos dizia em qual cartório ele tinha sido registrado e os nomes dos pais e avós dele. O primeiro passo então foi pedir a certidão de nascimento em inteiro teor dele e assim ter mais detalhes sobre essa árvore genealógica.

Quando digo que a jornada é longa e sinuosa, como já cantaram os Beatles, é porque realmente você precisa ser forte e, sobretudo, paciente. Buscar certidões é uma das tarefas mais difíceis e gratificantes desse processo. É um exercício de mapear cartórios, pedir certidão, achar certidão, não encontrar as informações que você precisa, continuar procurando, até que, uma hora, finalmente, o quebra-cabeça se monta e você sente orgulho e cansaço, pois o trabalho é árduo, mas você conseguiu!

Depois de uns 6 meses buscando todas as certidões (tanto brasileiras como italianas), imaginei que tinha chegado ao topo da montanha que já estava pronta para hastear a bandeira da vitória, mas eis que uma avalanche vem e me carrega com toda sua potência para o marco inicial… O nome de batismo da minha tataravó era composto e na certidão italiana estava o primeiro nome, enquanto em TODAS as certidões brasileiras estava o segundo nome. E agora? A quem recorrer? Como modificar? Seria possível modificar?

Acho que de todas as etapas desse processo, a retificação dos nomes é a chamada pedra no sapato, porque não depende só de você, não depende do seu esforço de ir atrás, não é um processo rápido e sim, você vai ter que ter muita, muita paciência.

Em conversa com os cartórios, eles sempre diziam que não podiam fazer a mudança, seria necessário entrar com um processo e me indicaram procurar um advogado. Acontece que uma coisa é buscar um advogado que conhece as normas de retificação para a cidadania italiana em um Estado onde a procura é grande, como São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e outros estados onde a imigração italiana foi mais intensa, outra coisa é tentar encontrar um advogado que entenda de todo esse trâmite no interior da Bahia, morando em uma cidadezinha com 150.000 habitantes. Meu Deus… que desespero!

Só quem passa por todo esse processo sabe o quão frágil e abalada nossas certezas ficam e os inúmeros pensamentos de “será que cheguei até aqui à toa?”. Muitas vezes, o desconhecimento é tão grande que a única coisa que precisamos é de alguém ao lado para dizer “calma que vai dar tudo certo”.

Foi buscando apoio e orientação nesse processo de retificação das certidões que nos grupos de Facebook me indicaram a Dra. Veridiana Petri, e posso afirmar que, desde o primeiro contato, desde a primeira mensagem, consegui sentir que ela era essa voz do “vai dar tudo certo” que eu estava procurando.

Muito antes dos encontros virtuais se tornarem rotineiros por conta da pandemia, lembro-me de que nossa primeira conversa foi feita pelo Google Meet, e o que mais me impressionou foi que, na verdade, a conversa foi só para esclarecer toda minha situação e ela me esclarecer quais seriam as etapas do processo, pois antes mesmo do encontro ela já tinha lido toda documentação e avaliado cada ponto que precisava de alteração.

Encontrar a Dra. Veridiana foi um misto de alegria, conforto, foi como encontrar uma voz firme, um olhar compassivo, um sentimento de esperança e fé, fé de que finalmente esse passaporte vermelho, mais cedo ou mais tarde, seria emitido.

E assim foi, verificamos certidão por certidão, nome por nome, sobrenome por sobrenome, locais de nascimento, datas de nascimento, casamento e falecimento. A Dra. me indicou por escrito tudo o que deveria ser alterado e, após minha confirmação, iniciamos o processo.

Tudo foi feito na Vara aqui da minha cidade e o processo foi correndo, correndo, correndo até que… a pandemia chegou. Ok, não havia muito o que fazer, então vamos esperar.

Passado o tempo de reclusão e quarentena, as Varas começaram a retomar os processos, porém parecia que o meu tinha caído atrás do armário em algum envelope molhado e estava fadado a NINGUÉM encontrá-lo.

Enquanto aguardava ansiosamente pela retificação das certidões, cada dia parecia uma eternidade. Cada minuto se arrastava como uma tartaruga cansada, enquanto minha esperança pendia no fio mais fino, prestes a se romper a qualquer momento.

Nesse momento, acredito eu, que alguns papéis mudaram de cena, pois foi a Dra. Veridiana que teve que exercer a paciência comigo. Envolta em um misto de ansiedade, impaciência, nervosismo, medo, etc., eu sempre escrevia aqueles e-mails chorosos pedindo atualização do processo e, infelizmente, nada de novo por meses.

Acho que uma das maiores lições que tive durante essa fase do processo de cidadania foi, além do exercício da paciência, reconhecer todos os profissionais como seres humanos. Mesmo estando diante de uma situação de mudança de vida, de expectativas, frustrações e tantos outros sentimentos, eu nunca me senti apenas mais uma cliente do escritório Tutto A Posto, mais um número a ser contabilizado como casos resolvidos. 

Sinto que a cada ligação telefônica, cada e-mail, cada reunião virtual se tornaram momentos de profunda emoção. Mesmo nesse momento de profunda dificuldade em que nos sentimos de mãos atadas, a equipe Tutto a Posto sempre esteve ali alimentando minha determinação e renovando minha fé.

Foi assim que mesmo diante de toda essa demora da Vara em dar encaminhamento ao processo, a Dra. Veridiana e eu conseguimos traçar um plano de ação onde, de fato, eu me senti parte protagonista de tudo que estava acontecendo, não apenas alguém que estava sendo assistida. Não houve dúvidas sobre o que estava acontecendo, o porquê da demora em sair a sentença, quais as possibilidades teríamos para resolver, tudo me foi esclarecido e compartilhado. Prova disso é que, depois de traçarmos nosso plano de ação, a sentença saiu, as certidões foram corrigidas, traduzidas e apostiladas.

Mas as curvas dessa estrada ainda não se acabaram. Quando eu achei que ficaria órfã sem o acompanhamento da Dra. Veridiana para dar início ao pedido de reconhecimento da cidadania, ela, além de me esclarecer quais os processos eu poderia iniciar (Judicial ou Administrativo), ainda me indicou a Dra. Manoela para acompanhar meu processo de reconhecimento.

Tudo foi feito da mesma maneira: encontro virtual para esclarecermos as partes do processo, competências que serão exercidas pelos profissionais, prazos e documentações. A ansiedade e expectativa não foram embora, mas elas agora estão acompanhadas pelos planos e sonhos que a cada dia diminuem um passo para se concretizar.

Através desse processo, aprendi a valorizar cada vitória, por menor que fosse, e a abraçar a jornada com coragem e resiliência. E, acima de tudo, aprendi que, quando temos ao nosso lado profissionais dedicados e apaixonados, eles se tornam não apenas nossos guias, mas também nossos pilares de apoio e força.

Hoje posso dizer que a longa jornada ainda não terminou, mas, sinto que encontrei uma parte de mim mesma que estava adormecida, uma força interior que me empurrou para além dos limites e me permitiu alcançar o que eu imaginei ser impossível. Agora, com o processo já protocolado e tudo correndo em direção ao reconhecimento, afirmo com firmeza que a paisagem dessa estrada é muito mais linda e gratificante do que eu imaginei.

Tainan Bogo
Baiana, Servidora Pública e apaixonada pela Itália mas sobretudo apaixonada por qualquer biscotti da Mulino Bianco.

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